Dicas de leitura

Geleca caseira vira febre entre crianças e nas redes sociais
As mãos esticam, puxam, apertam, estendem e desdobram a massa grudenta. Como se estivesse fazendo pão ou dando liga a um chiclete gigante, Raphaela Medina vê logo ganhar forma o brinquedo que virou febre na internet e nas escolas: a meleca caseira conhecida como slime ou amoeba.
Basta procurar no YouTube ou no Instagram para que receitas grudem na tela, ensinem a fabricar a gosma e mostrem como personalizá-la com corantes ou glitter.
Depois, é só brincar de esticar a massa como se não houvesse amanhã. "E vender para os amigos", diz Raphaela, que comercializa o produto no colégio por valores de R$ 5 a R$ 15, dependendo do tamanho, da consistência e dos brilhos. 
Como já não existe bobo no mundo dos slimes, muitos clientes também aprenderam a fazer o produto. Se no ano passado a menina de dez anos chegou a vender oito gelecas em um dia, hoje são duas por semana.
Independentemente da fórmula, dois ingredientes se repetem: cola branca e água boricada. Algumas levam ainda bórax, composto químico usado como inseticida –o canal Manual do Mundo, com mais de 10 milhões de inscritos no YouTube, ensina a fazer o brinquedo com esse ingrediente, por exemplo.
A Sociedade Brasileira de Pediatria, porém, alerta para riscos. Segundo Carlos Augusto Mello da Silva, presidente do Departamento de Toxicologia da entidade, o manuseio do bórax pode gerar intoxicação. O mesmo vale para a água boricada. "O uso por crianças pode ter efeitos imprevisíveis", afirma.
Para driblar a proibição dos pais a esses componentes, os irmãos Leonardo, 7, e Letícia Pellegrini, 3, usam uma receita com farinha de trigo, sal, água e óleo. Sem cola e compostos químicos, o slime fica com consistência de massinha. "Não é grudento, mas dá para criar bichos e paisagens", conta Leonardo.
Outra solução é apelar para gelecas comestíveis –um bom jeito de brincar com a comida sem ouvir reclamações.

Fonte: Folha de São Paulo. 1 de julho  de 2018.